
Marginália Metropolitana consiste em uma coletânea musical apresentando sete artistas da cena de música eletrônica da Grande Porto Alegre, um livro organizado por Gabriel Bernardo com participação de outros cinco escritores e uma festa de rua, que será realizada no dia 3 de maio e conta com a organização do Coletivo Plano.
O projeto articula um caldo que vem sendo alimentado há vários anos em Porto Alegre e outras cidades da região metropolitana. Algo que ocorre, ao menos, desde a década passada, momento de surgimento dos coletivos de música eletrônica. Estas coletividades, construídas por artistas e entusiastas da produção cultural, que caminham na corda bamba entre o amadorismo e o profissionalismo, os closes e os corres, hoje alcançam consistência e encontram neste projeto uma nova forma de expressão, que garante outro tipo de duração, para além da efêmera intensidade dos acontecimentos festivos.
Marginália Metropolitana como um todo materializa, na forma de livro, álbum e festa, esforços, danças e histórias que estão para além de artistas e produtores culturais propriamente ditos ou reconhecidos. É expressão de um caldeirão produzido pelos trânsitos e conexões de uma pequena multidão, vinda de várias cidades, que encontram nas pistas de dança das festas de música eletrônica underground um agenciamento possível entre seu posicionamento político e sua fruição estética, sua relação com a música, com a dança, com os visuais, com a arquitetura etc. Assim, neste entrelaçamento, fazem das festas criações artísticas vivas e coletivas, de modo que as músicas e os textos que compõem este projeto são também um efeito daquilo que é produzido como vibração no espaço da pista, sendo as pessoas que assinam, de alguma forma, apenas via de passagem de algo que está para além de qualquer gênio ou individualidade. Ou seja: livro, álbum e festa não deixam de ser apenas mais uma dimensão do relevo sensível, do rastro, que o trabalho de pista efetua na forma do “rolê”, sempre através da dança, sempre de maneira coletiva.
Projeto realizado com recursos da Lei Complementar n° 195/2022, Lei Paulo Gustavo, através do Edital SEDAC/LPG n° 12/2023 – Criação Artística.
Na mídia: